O chefe dos palhaços

Bozo

 

 

 

Houve um cronista do reino

juntamente com arroto

que respondeu sem pruridos

a um jornal de negócios

com jornalista maroto

 

perguntado por um bobo

a surgir na lusa cena

em jeito de previsão

disse o cronista convicto

já cá sofremos tal pena

 

e não temos um qualquer

é o chefe da canoa

o que trabalha há mais tempo

no circo da Lusitânia

e é porta-voz da patroa

 

e assim ele proclamou

o que soava em privado

mesmo sem nariz vermelho

não é palhaço quem quer

só quem faz disso o seu fado.

 

 

© Manuel Sadino

29/5/13

 

 

 

Mostre lá a factura!

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“Mostre lá a factura!” – diz o fiscal das Finanças

Tipo autoritário, como quem caça otário

E eu, distraído, saindo do café às pressas

Dei com ele pela frente (disse chamar-se Mário)

 

“Mostre lá” – insistiu ele – “mostre lá qu’eu é que sei!

Da bica e pastel de nata, que eu vi que comeu!”

Face ao meu cenho duro, disse ser coisa da lei

Mas cá p’ra mim fui pensando: Qual é a tua, ó meu?

 

Os humores a subir e’a conversa aquecia

Ele engrossava a voz só para intimidar

De repente senti qu’o sangue nas veias fervia

 

Espetei-lhe o dedo: “Tenho recadinho a dar,

diga lá ao seu chefe o que disse o Viegas,

em vez de tomar factura, tome onde mais gostar!”

 

 

Manuel Sadino

15/2/13

 

Ó Relvas, ó Relvas!

 
Letra para uma música de Paco Bandeira

 

 
Tenho no PSD traquejo
Bem dentro do aparelho
Sinto orgulho quando vejo
No poder o amigo Coelho

 

Uma malta da cidade
Diz que p’ra mim tudo é canja
Eu tenho grande vaidade
De ter nascido “laranja”

 

Tenho no PSD traquejo
Bem dentro do aparelho
Sinto orgulho quando vejo
No poder o amigo Coelho

 

Ó Relvas, ó Relvas
E Passos à vista
Todo eu sou artista
Estupor e maldade
Transporto no bolso
A universidade
A universidade.

 
Manuel Sadino
9/7/12

Um dia acordam mijados

 

 

 

Para seguir carreira na lusitana política
O melhor de tudo é ter um curso supersónico
Olhem para as eminências pardas do governo
E vejam se encontram algum facto anacrónico

 

O Relvas era doutor antes de ser licenciado
O Armando Vara era mestre antes de ser doutor
O José Sócrates acabou o curso num domingo
E digam lá se não temos que recorrer ao bom humor

 

Tal corja de imprestáveis, aldrabões e salafrários
Que vai enchendo os cofres à conta do mau governo
Põe um ar de sofrimento a pensar: “Estes otários!”

 

Ocupados demais a retocar o seu ar moderno
E distraídos a segurar os seus tachos, vários
Um dia acordam mijados, caídos no inferno.

 

 

Manuel Sadino

5/7/12

Anda um homem escondido

Anda um homem escondido
A fugir dos microfones
Por gravata tem prurido
Deixando ao longe os mirones

Quem mandou ir aos artistas?
Àquela escola diferente?
Contestações nunca vistas
Dão imagem deprimente

Bem pensou, melhor o fez
E regressou ao palácio
Para evitar confusões

A alunos deste jaez
E a jornalista pancrácio
Não se dão satisfações!

Manuel Sadino
17/2/12

Catroga, o Eduardo


Tem um pequeno problema
Catroga, o Eduardo
De cada vez que abre a boca
Julga-se a lançar um dardo

Pontaria não lhe falta
A acertar em sítio errado
E quem seu amigo for
Vai sentir-se desgraçado

Diz coisas sem trambelho
De forma desajeitada
Co’ a maior desfaçatez

Como aquela do “pentelho”
E a da Cardona enjeitada!
Basta que lhe dêem vez.

Manuel Sadino
16/1/12

Por tanto piscar o olho

O Zé Rodrigues dos Santos
Fez a grande descoberta
A pesquisar por aí
Mas deu polémica certa

Diz o senhor em questão
Que a pólvora descobriu
Bastou ler umas coisinhas
E nova tese pariu

Ignorância iluminada
Nem sequer original
Da ciência fez trambolho

De forma desaustinada
Custa-lhe a ver, afinal
Por tanto piscar o olho!

Manuel Sadino
26/10/11