O Dialecto Setubalense

Interessante texto de Jaime Pereira, que nos chegou por mão amiga, via internet, sobre o falar setubalense, no contexto de um trabalho académico:

Pa todes aqueles qe nã perrcebem nada sobrre a fala dos setuvelenses ou pa todes aqueles qe gostavam de saberr más da forrma côme falames,
aqui fica uma parrte do mê trrabalhe da faculdade da cadêrra de
Comunicaçãum e Patrrimóne Literrárre sobrre o dialécte setuvelense, có
teorrias p’rrá sua orrige, parrticularridades da fonética da nossa
fala, um dicionárre de palavrras e frrases tipicas.

Teorias para a origem

Relativamente à influência de franceses no sotaque setubalense,
nomeadamente no carregar dos ‘erres’, existem duas teorias conhecidas,
e ambas do século XIX: a das invasões napoleónicas a Portugal e a
teoria das fábricas conserveiras de Setúbal geridas por franceses,
durante a revolução industrial.
Influência dos fluxos migratórios Apesar de o setubalense ser
conhecido por carregar nos ‘erres’, este sotaque, só é praticamente
notado nos setubalenses mais idosos, já que grande parte dos
setubalenses mais jovens (abaixo da faixa etária dos 45 anos) não tem
esse sotaque, mas sim, vários dialectos consoante o bairro de Setúbal,
em que o indivíduo está inserido.
Enquanto o extremo oriental da cidade constituído pelo Bairro Santos
Nicolau e das Fontainhas, era habitado por gentes vindas do norte do
País, em especial da zona da Ria de Aveiro, como a Murtosa, Ovar e
Aveiro, e que normalmente vinham para pescar nos seus próprios barcos,
mas também para trabalhar nas fábricas de conservas; Por isso a
tendência natural das pessoas destes bairros, típica das pessoas do
norte, de utilizar sonoridades nasais quando a mesma não se justifica,
como por exemplo, em palavras como peru, gente, mesa, tijela, ou
quente, e que são ditas, acentuando a sua nasalidade, por pirum,
geinte, menza, t’jala ou queinte. Já o extremo ocidental da cidade,
constituído pelo Troino e pelos bairros da freguesia da Anunciada
(Viso, Fonte Nova, Palhavã, etc.), era habitado por gentes vindas do
Algarve, para trabalhar nos cercos e nas fábricas de conservas de
peixe. Por isso a tendência dos descendentes destes bairros, fecharem
as vogais, com a maior evidência do ‘o’ transformado em ‘e’ no final
das palavras, já que acaba por ser comum a quase todo o Sul de
Portugal, com maior destaque para o Algarve, onde os ‘marafades’ são o
expoente máximo.

Conclusão

As derivações que permitem depois a riqueza do ‘dialecto
sadino’, acabam certamente por estar directamente relacionadas com a
forte ligação do povo setubalense ao mar, e à pouca instrução escolar
que durante anos marcou a sociedade setubalense, e que permitia
facilmente a proliferação de expressões inventadas com palavras
adaptadas popularmente às necessidades. A única certeza, que podemos
dar como certa, é que nenhuma das teorias da origem, terá marcado,
individualmente, tanto a forma de falar dos setubalenses, porque a
forma de falar à setubalense, faz a mistura dos sotaques do algarvio,
do nortenho e também do francês. A partir daí, a sua extensão a toda a
população setubalense tornou-se fácil e natural, até porque a
‘musicalidade’ intrínseca à verbalização destas expressões, deve-se
principalmente à conjugação da grande maioria dos termos, que mais
fortemente ficaram agarrados no processo da evolução deste dialecto
sadino.

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